Aprendizados na quarentena

Hoje, pela manhã, após quase 30 dias de quarentena, peguei-me refletindo sobre o tempo, já que estamos com mais tempo do que normalmente temos. Estava escolhendo feijão. Separava o grão carcomido, o irregular, a pedra, o cisco insistente. Às vezes, não consigo cozinhar feijão. Exige ser separado, molho, remolho, cozimento, tempero. Exige tempo. Para um bom feijão, é preciso selecionar aquilo que vai para a panela; é preciso esperar o chiado da pressão, controlar o tempo. Cozinhar feijão é sentir o cheiro do cozimento, do tempero e ver engrossar o caldo. Para ter um bom feijão, é preciso ter paciência.

Outra atividade que aprendi nesses dias é fazer pão. Sempre admirei essa tarefa nobre de fabricar o milenar alimento, sem o qual não ficamos aqui em casa. Resolvi fazer pão. Novamente, tempo para o fermento agir, tempo para sovar a massa, para esperar crescer, para enrolar e esperar crescer novamente, para esperar assar, para esperar esfriar um pouco. E, enfim, comer o pão.

Tudo o que obedece ao seu devido tempo é mais saboroso, bem feito, sereno, como o bom feijão que nos acompanha durante as refeições ou o pão que alimenta o corpo e enche a alma de satisfação. Às vezes, não sabemos esperar, não conseguimos dar um passo de cada vez e saímos em uma corrida desesperada, sem saber para onde. Precisamos, sim, ter a sensibilidade de ver, cheirar, ouvir, tocar, distinguir o sabor e, depois, decidir o melhor a ser feito.


Autora: Anamélia Massucato (Abril/2020)


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